O escritor português
José Saramago morreu na última sexta-feira, dia 18 de junho de 2010, aos 87 anos, em casa. Saramago escreveu
Levantado do Chão (1982). Li esse livro há mais de uma década, a partir da sugestão de um colega de trabalho, hoje um amigo. É um livro que fala sobre coisas e pessoas simples. Fala sobre a opressão econômica, social e religiosa que acompanha por décadas o cotidiano de uma família de camponeses portugueses, os Mau-Tempo. Recomendo fortemente a leitura dessa obra, onde está impressa toda a genialidade de Saramago, em um texto no qual há páginas inteiras sem qualquer sinal de pontuação (!), o que lembra uma história contada oralmente. Duvido que Saramago seria o
ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1998 (
ano em que recebeu maior número de citações na Web) se essa fosse sua única obra. Mas Saramago havia ganhado anteriormente o
Prêmio Camões (1995), o mais importante da literatura portuguesa. Ademais, Saramago representa muitos estilos e escreveu muitas outras obras. Dentre elas, obras primas, como
O Evangelho Segundo Jesus Cristo e
Ensaio Sobre a Cegueira (que tem uma emocionante
versão cinematográfica, dirigida por Fernando Meirelles). A
lista de livros escritos por Saramago é uma
dica de leitura (busca de livros) que vale cada palavra lida. Seu último livro, Caim, levou o ateu confesso (!) Saramago novamente ao centro da polêmica em uma intolerância religiosa às avessas. Em outro livro,
A Intermitência da Morte (2005), a morte é personificada em uma figura feminina, que deixa, por um período, de fazer parte do cotidiano das pessoas em um país fictício. Saramago escreveu:
“De Deus e da morte não se tem contado senão histórias, e esta é mais uma delas.” (na Wikipedia). Agora, mesmo após a sua morte, a rede social Twitter envolveu Saramago e a senadora e candidata à presidência Marina Silva em mais uma polêmica. Em
seu Twitter, Marina escreveu:
"Morre José Saramago. O mundo perde um grande escritor e os países da língua portuguesa, o nosso primeiro prêmio Nobel". Logo após a equipe,
aparentemente por engano,
publicou comentários de seguidores criticando o ateísmo de Saramago, dando a impressão de que Marina era a autora das críticas...