"ANA PAULA PADRÃO – Boa noite para você. É com muito prazer que o SBT transmite ao vivo, a partir de agora, o debate entre os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin.Em nome do SBT, eu agradeço a presença dos dois candidatos e o esforço de suas assessorias para concretizar este que certamente será um encontro de exposição de programas, debate de propostas e um grande exercício de aprimoramento da democracia." (Fonte: recebido por email, atribuído ao SBT)
"Nós, do SBT, consideramos tão importante este momento que decidimos cancelar a edição de hoje do Telejornal SBT Brasil, que iria ao ar às 21h10, para ocupar o horário mais nobre desta emissora discutindo o futuro do Brasil.
Os telespectadores e o jornalismo do SBT ganham com isso. Nossa intenção é estimular aqui a troca de idéias. E as regras do debate foram estabelecidas de comum acordo com as assessorias de cada campanha para facilitar esse objetivo.
Vamos, então, às regras.
Neste primeiro bloco, os candidatos falarão de suas propostas de governo a partir de quatro temas sorteados pela Mediadora.
O primeiro candidato a responder terá dois minutos para discorrer sobre o tema sorteado. A réplica será de um minuto e a tréplica também será de um minuto.
No segundo e no terceiro blocos, candidato pergunta para candidato. Cada um deles fará, em cada um dos blocos, duas perguntas para o adversário. A pergunta terá um minuto; a resposta, dois minutos; a réplica, um minuto; e a tréplica, também um minuto.
O quarto bloco será dedicado às considerações finais dos candidatos, quando cada um terá três minutos.
A ordem de resposta dos candidatos em todos os blocos foi definida por sorteio realizado ontem, com a presença dos assessores de cada campanha.
Ainda segundo as regras assinadas pelas assessorias dos dois candidatos, não serão permitidas ofensas pessoais. Eu repito: não serão permitidas ofensas pessoais. Qualquer manifestação nesse sentido poderá gerar direito de resposta da parte que se sentir ofendida.
A análise do direito de resposta será feita pela produção deste debate e pela Mediadora. Mas eu tenho certeza de que isso não será necessário e que a troca de idéias se dará no mais alto nível, num sinal de respeito ao eleitor que nos assiste em casa.
Também em respeito ao telespectador, eu peço à platéia, formada por convidados dos dois candidatos, que não se manifeste enquanto os candidatos estiverem falando. Se isso acontecer eu serei obrigada a interromper o debate, prejudicando assim os dois lados.
Eu e os telespectadores contamos com a colaboração de todos os presentes.
Vamos, então, ao sorteio do primeiro tema a ser debatido.
Nesta urna há oito temas e o tema sorteado será respondido primeiro pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com o sorteio realizado ontem, na presença das assessorias dos dois candidatos.
Então, vamos ao primeiro tema. O primeiro tema é agricultura.
Presidente Lula, o senhor pode falar do seu programa de governo sobre a agricultura. O senhor tem dois minutos, contados a partir de agora.
LULA – Boa noite, Ana Paula Padrão, boa noite Alckmin, boa noite, povo brasileiro que neste momento está assistindo este debate no SBT.
A agricultura é um dos pilares mais importantes do desenvolvimento do nosso país. O problema da agricultura é que de vez em quando a agricultura tem crises cíclicas, ou seja, às vezes ela vai dois anos bem, às vezes tem dois anos que não vai bem, sobretudo quando tem problema de intempéries, tem problema de praga.
E a agricultura brasileira, que tem uma pujança extraordinária, que representa uma parcela importante do nosso PIB, nos últimos dois anos, teve problemas muito sérios, seja porque o mundo inteiro produziu mais, sobretudo na área de grãos...
E nós fizemos aquilo que um governo tem que fazer na hora certa, com a precisão que precisava ser feita. O plano safra que nós disponibilizamos este ano para a agricultura foi de 60 bilhões: 50 para o agronegócio e 10 bilhões para a agricultura familiar. É o maior orçamento para a agricultura dos últimos 30 anos. Somente de 2003 a 2006, nós disponibilizamos 140 bilhões para a agricultura. Para a agricultura familiar, nós saltamos de 2 bilhões e 400 para 10 bilhões na safra 2006/2007. Prorrogamos praticamente todas as dívidas ocorridas no atual Governo. Custeio de investimento: de 2005 a 2006, nós investimos 13 bilhões e 300 milhões de reais. Dívidas antigas que ainda tinha, por conta do Pesa, Securitização e Recoop, 720 milhões, e o apoio à comercialização, 2 bilhões e 700 milhões em 2006.
LULA – Eu dei esses números aqui para dizer que a agricultura brasileira é uma coisa que nós precisamos cada vez mais investir mais, cada vez mais acreditar mais e cada vez mais acredita que com os investimentos que estamos fazendo a agricultura brasileira, sobretudo depois da criação do seguro agrícola, não terá mais os problemas que tem quando tem intempéries.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato.
Por favor, candidato Alckmin, a sua réplica. Um minuto a partir de agora.
ALCKMIN – Quero cumprimentá-la, Ana Paula Padrão, cumprimentar o candidato Lula, cumprimentar você que está em casa. Espero que este debate possa contribuir para mostrar as diferenças das candidaturas e que você possa escolher bem no dia 29.
E dizer que a agricultura brasileira foi levada, pela omissão do atual Governo e pelo seu não-entendimento da importância econômica e social da agricultura, à maior crise dos últimos 40 anos. Crise na produção de grãos, crise na questão dos juros, impostos elevados, infra-estrutura e logística muito ruim, defesa sanitária que trouxe de volta a febre aftosa e new castle, um conjunto de problemas... A indústria de máquinas hoje parada, o setor na sua maior inadimplência, queda de produção, e o pior: quem vai pagar a conta é o consumidor, com os preços que já estão aumentando, como o trigo, que quase aumentou 60% agora.
ANA PAULA PADRÃO – O seu tempo terminou, candidato. Muito obrigada.
Sua réplica, por favor, Presidente. Um minuto.
LULA – O candidato Alckmin, de vez em quando, comete injustiças graves.
Eu tive, como Ministro da Agricultura, um amigo meu e amigo dele que talvez seja uma das pessoas mais competentes no entendimento da agricultura deste país e é agricultor. E ele sabe, definitivamente, ele sabe que nós fizemos o que era possível e impossível para enfrentar o problema da agricultura neste país. Sabe inclusive o financiamento que nós fizemos, sabe a liberação de recursos, sabe a redução de juros... E tudo que foi pedido pelo Ministro Roberto Rodrigues, em comum acordo com as entidades, nós fizemos.
Acontece que nem sempre o Tesouro tem todo o dinheiro disponível para resolver os problemas na hora certa. É por isso que nós criamos o seguro agrícola, para nos livrarmos de qualquer problema daqui para a frente com crise. Ou seja, teve uma crise, eu tenho o seguro agrícola para cobrir.
E nós, agora, com a questão da produção do biodiesel... Os grãos vão ter um destino mais sólido.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, Presidente.
Vamos ao sorteio do segundo tema. Quem vai discorrer sobre ele é o candidato Alckmin. O tema é corrupção.
Candidato Alckmin, o senhor tem dois minutos contados a partir de agora.
ALCKMIN – Olha, eu quero conversar com você que está em casa e falar da importância dessa questão.
O governo precisa dar o exemplo para a sociedade. Presidente da República, Governo Federal é aquele em que a sociedade se espelha, o que nós precisamos em casa que seja exemplo para a criança e para o jovem.
O que nós vimos no atual Governo em termos de corrupção não foram fatos isolados, que já seriam graves. Mas nós vimos uma questão endêmica, desde o início do Governo, com o escândalo Valdomiro, que trabalhava dentro do Palácio do Planalto, com a CPI dos Correios, maculando uma instituição da credibilidade dos Correios, com o mensalão, que, na realidade, foi a compra, o aluguel de deputados a peso de dinheiro, através do valerioduto. Nós vimos o escândalo GDCar, onde o Silvio Pereira ganhou uma Land Rover importada, o Secretário do PT, de uma empresa, numa concorrência pública. Nós vimos o escândalo da GTech, nós vimos o escândalo da Visanet, maculando a imagem do Banco do Brasil, uma instituição séria; nós vimos o escândalo da Secom, onde 11 milhões de reais desapareceram. E a justificativa perante o Tribunal de Contas da União foi de que esse material de propaganda do Governo foi entregue nos diretórios do PT, o que por si só já é errado. E, finalmente, nós culminamos com a questão do dossiê: 1 milhão 750 mil em dinheiro vivo. Foram presos os dirigentes do PT, o dinheiro foi apreendido. Agora, o Presidente da CPI diz que é dinheiro de corrupção, dinheiro do crime. E 34 dias depois, a sociedade brasileira merece explicações. Nós estamos numa eleição presidencial que é coisa séria.
ANA PAULA PADRÃO – Obrigada.
Presidente Lula, sua réplica, por favor.
LULA – Esta campanha vai terminar sendo uma campanha de uma nota só, porque, se as coisas hoje estão aparecendo neste país é porque o Governo, como em nenhum outro momento da história do país, está apurando. Em nenhum outro momento da história do país. E eu quero pedir o testemunho do povo brasileiro.
Neste país aqui, costumava-se empurrar CPI para debaixo da mesa, costumava-se empurrar denúncia para debaixo da mesa, para debaixo do tapete, para debaixo do sofá.
No meu Governo, a diferença é que, quando existe um problema qualquer, nós tomamos a iniciativa de fazer as investigações, doa a quem doer, de afastar quem for necessário e de permitir que as instituições funcionem e façam o julgamento adequado.
Muitas vezes, o meu adversário quer que eu faça um julgamento com as próprias mãos. O papel do Presidente da República é apenas afastar e garantir que a investigação seja feita de forma mais transparente. E isso ele sabe que nós estamos fazendo.
ANA PAULA PADRÃO – Obrigada, candidato.
Por favor, Alckmin, sua tréplica em um minuto.
ALCKMIN – Olha, primeiro, não é uma questão de uma nota só. São 1 milhão 750 mil notas.
Depois, eu queria colocar que também não é verdade que estão apurando. CPI saiu no Supremo Tribunal Federal. Senão não teria CPI. Líderes do PT foram advertidos, porque assinaram documento pedindo CPI, deputados perderam emendas. Saíram porque os fatos eram muito graves. E o fato é que essa última questão, do dossiê, nós estamos há 34 dias.
A sociedade tem o direito de saber, numa eleição presidencial, um fato grave envolvendo crime. A sociedade tem o direito de saber. Não é possível! Envolvendo a campanha do candidato Lula. É o Presidente do seu Partido, o coordenador da sua campanha, seu assessor direto, o Diretor do Banco do Brasil do seu Governo, o Diretor do Banco do Estado de Santa Catarina do seu Governo, o Secretário do Ministério do Trabalho! Não é possível que ninguém saiba disso.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada.
Vamos ao sorteio do terceiro tema, portanto, que será objeto de análise do Presidente Lula. O tema é saúde.
Presidente Lula, por favor, em dois minutos.
LULA – Vou dar os números aqui para depois fazer o comentário.
Recurso da saúde subiu 56%, de 28 bilhões para 44 bilhões e 300; no Saúde da Família, as equipes cresceram 57% - eram 16 mil e 60 equipes de médicos de família; foram para 26 mil; agentes comunitários saíram de 175 para 270 mil e a profissão foi regulamentada; em Saúde Bucal, criamos 440 centros de Saúde Bucal e saímos de 4 mil para 14 mil agentes de Saúde Bucal. Criamos o Samu, que atende hoje 87 milhões de brasileiros em 817 municípios. É só ligar para o número 192.
Medicamentos distribuídos: saímos de 1 real que o Governo repassava para 3 reais e 75, em 2006, para os estados e para os municípios. E cada estado e cada município põe 1 real.
Farmácia Popular: 203 farmácias populares em 165 municípios. E aqui tem farmácia que tem convênio com o ensino privado a quatro mil, vendendo remédio por 10% do preço que ele vale, sobretudo para as pessoas que têm diabete e hipertensão.
Estamos investindo 300 milhões para recuperar os hospitais de urgência e emergência, 80 milhões para a reestruturação de 746 hospitais filantrópicos, 270 milhões em 131 hospitais universitários, além do aumento de 41% no atendimento de alta complexidade.
Isso é apenas alguns dados da educação (sic), do que nós estamos fazendo neste país e vamos fazer muito mais.
Ainda ontem, o Ministro da Saúde e eu assinamos um decreto para garantir às pessoas da terceira idade o direito de internação domiciliar, sobretudo para essas pessoas não precisarem ficar no hospital. Vai o médico de família cuidar deles.
E vamos tentar transformar oftalmologia numa questão de saúde pública. Fazer exames nas crianças quando elas nascem, porque hoje o tratamento de hoje só é feito quando a pessoa descobre que tem problema.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, Presidente.
Por favor, candidato Alckmin, sua réplica em um minuto.
ALCKMIN – Olha, eu quero falar com você que está em casa, que está nos assistindo e que sabe que a saúde vai muito mal. Ela piorou no atual Governo. Nós retrocedemos.
As Santas Casas estão quebradas, porque a tabela do SUS não é corrigida. O Governo Federal arrecadou, no ano passado, quase 30 bilhões de reais da CPMF. Nenhum centavo para as prefeituras, nenhum centavo para os estados; tudo na mão do Governo Federal.
ALCKMIN – Foram abandonados os mutirões da época do Ministro Serra; a AIDS piorou. Estamos tendo o risco agora de as mulheres estarem com índice de contaminação superior aos homens. O programa dos genéricos foi abandonado; os hospitais do Rio de Janeiro entraram em colapso; a qualidade do atendimento do SUS... E você que está em casa, que está nos ouvindo, 78% da população precisam do SUS. A qualidade é muito ruim.
Para mim não está bom. Eu tenho o dever, como médico, de trabalhar e vou melhorar e corrigir a saúde.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato.
Por favor, Presidente Lula, a sua tréplica.
LULA – Não está bom para o Alckmin, porque ele não usa a saúde pública. Certamente ele utiliza um convênio médico.
O dado concreto é que nas pesquisas de opinião pública a saúde aparece como uma coisa boa. Obviamente, ainda falta muito para melhorar. E eu sei o que é a saúde pública neste país, porque convivo com as pessoas e posso dizer ao povo brasileiro que nós estamos longe de ter a saúde pública que todos nós desejamos para nós e para os nossos filhos. Mas o que nós fizemos neste Governo do ponto de vista de dar à sociedade brasileira um atendimento jamais foi feito neste país. Jamais foi feito neste país! E vamos continuar fazendo, porque nós achamos que a saúde, sobretudo combinada com uma forte política de saneamento básico, é que vai permitir que o povo brasileiro tenha uma saúde perfeita e possa se orgulhar do tipo de saúde que o seu governo oferece. Nós estamos investindo nas Santas Casas, estamos investindo em hospitais filantrópicos...
Obviamente, eu espero que um dia o Governador precise da saúde pública, porque ele vai ver que o atendimento melhorou substancialmente.
ANA PAULA PADRÃO – Obrigada, Presidente.
Vou fazer o sorteio agora do quarto tema, sobre o qual falará o candidato Alckmin. O tema é segurança.
Candidato, dois minutos, por favor.
ALCKMIN – Esse é o tema de preocupação de toda a população brasileira.
Eu viajei os 27 estados do Brasil. Não teve uma capital, uma grande cidade que não tivesse na manchete do jornal problema de segurança.
Trabalhei como Governador, tanto é que nós reduzimos os índices de homicídio em mais de 50%; latrocínio, quase 70%; tiramos 90 mil bandidos da cadeia; acabamos com o Carandiru; a cidade de São Paulo não tem mais preso em cadeira; investimos 130 mil policiais.
Fiz a minha parte. Agora, o problema é que, por trás das questões de segurança, existe o tráfico de droga.
O Brasil não fabrica droga. Os governos estaduais prendem quarto escalão, quinto escalão da droga. O que nós temos é uma omissão do Governo Federal, que tem o dever da polícia de fronteira, com a Polícia Federal, Exército, Marinha, Aeronáutica, de combater o tráfico de droga, e não o faz.
Da mesma forma, o contrabando de armas. Só para dar um exemplo, num estado, você pega uma arma a cada vinte minutos. Nós sabemos de onde vem o contrabando, mas a omissão é total. O que o Governo atual fez com a segurança foi cortar todas as verbas; reduziu à metade o fundo de segurança e o fundo penitenciário; não priorizou a área da segurança.
Eu vou assumir como responsabilidade do Governo Federal. Se esse é um problema do Brasil todo, é um problema do Presidente da República. Não vou me omitir. Aliás, vou criar o ministério da segurança pública, descontingenciar os recursos do fundo de segurança e fundo penitenciário logo no início do Governo, chamar os 27 governadores para nós trabalharmos juntos, combater a lavagem de dinheiro, porque COAF, Receita, tudo isso é do Governo Federal, e trabalhar de forma integrada. E vamos reduzir esses índices no país todo.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, o seu tempo está terminado.
Por favor, Presidente, sua réplica em um minuto.
LULA – Pelo amor de Deus, que o povo de São Paulo não ouça, porque eles vão pensar que vai ter um PCC no Brasil inteiro. Se depois de 12 anos não conseguiram fazer em São Paulo, como é que podem prometer para o Brasil?
Eu vou dizer as coisas que nós fizemos aqui, porque eu não posso ficar chutando coisa. Tenho que dizer número exato.
Primeiro, a Polícia Federal. Aumentamos 41% o efetivo, aumentamos 40% dos recursos, desmantelamos praticamente 184 quadrilhas, fizemos 184 operações especiais, sendo que 80% delas começaram antes de 2003; temos um bom trabalho nas fronteiras. Acontece que a fronteira brasileira seca são 17 mil quilômetros e a nossa costa marítima, quase 8 mil quilômetros.
Oitenta e seis por cento das armas apreendidas no Brasil são armas fabricadas aqui no Brasil, de brasileiros, não são contrabandeadas. Isso é dado da Polícia Federal.
LULA – Propusemos um sistema de integração. O único Estado que não quis fazer foi São Paulo. Agora que o Lembo entrou, ele fez.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato, um minuto.
ALCKMIN – Primeiro, com relação a essa ironia do PCC, não tem nenhum líder do crime organizado que não esteja preso em penitenciária de segurança máxima. O que eu lamento é que os criminosos do colarinho branco estejam soltos e faceiros, sem responder à Justiça.
Em segundo lugar, quando o Governo Federal precisou colocar o Fernandinho Beira-Mar, nós atendemos. Aliás, atendemos duas vezes, porque eu fui o primeiro a fazer penitenciárias de segurança máxima, regime penitenciário diferenciado, e não misturo questão partidária com segurança pública.
Eu tenho um lado; o meu lado é contra o crime. Quando precisaram que colocasse penitenciária de segurança máxima e regime disciplinar diferenciado, nós aceitamos aqui. Era para ficar um mês; ficou dois anos o Fernandinho Beira-Mar.
Vou trabalhar a questão de polícia de fronteira, vou equipar melhor a Polícia Federal e vou mudar a legislação, que hoje é muito fraquinha com o crime organizado e dura com o pequenininho.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato.
Chegamos ao fim deste primeiro bloco do debate que está sendo transmitido ao vivo pela Rede SBT e também pela TV Cultura e TVs Educativas.
Faremos agora um pequeno intervalo e voltamos com o segundo bloco, no qual candidato pergunta para candidato. Até já.
ANA PAULA PADRÃO – O SBT volta a apresentar ao vivo o debate entre os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Este segundo bloco será dedicado às perguntas livres de candidato para candidato. De acordo com a ordem do sorteio realizado ontem na presença das assessorias dos dois candidatos o primeiro a perguntar será o candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente, o senhor tem um minuto para a pergunta a partir de agora.
LULA – Candidato, o senhor disse que a educação será um dos pilares do seu Governo. Entretanto, quando o Estado de São Paulo foi testado os resultados não foram tão bons. O Estado foi o oitavo colocado no item ENEM; houve uma redução de 131 mil vagas no ensino médio; e entre 99 e 2005 a reprovação triplicou no ensino médio e dobrou no ensino fundamental. Ora, se no Estado mais rico da Federação aconteceu um desastre como esse, a minha pergunta é a seguinte:
Qual é a sua proposta, já que no seu programa não fala em Pró-UNI, não fala em Fundeb e não fala, por exemplo, nas cotas. Qual é a sua proposta para a educação para o país?
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato, dois minutos.
ALCKMIN – Olha, primeiro, o candidato Lula está fazendo a mesma pergunta do debate anterior e eu já expliquei para ele, mas vou explicar novamente.
O SAEB, que é o que ele se refere no tal do oitavo lugar, não mede sistema de educação. Só faz a prova quem quer. A prova não é para medir sistema educacional. No Governo do Estado de São Paulo as escolas tinham menos de quatro horas/aula. Nós levamos para cinco horas/aula; três dias por semana, seis horas/aula; 500 escolas em tempo integral, levamos a Universidade de São Paulo para a Zona Leste, instituímos ações afirmativas, pegamos as FATECs,que tinham oito e passamos para 27. Agora, nós não estamos aqui para discutir o Governo do Estado de São Paulo. O candidato deve saber que a eleição aqui já ocorreu, nós já ganhamos no primeiro turno com o Governador José Serra. Estou aqui para discutir o Brasil. E quero dizer que no caso do Brasil nós vamos trabalhar para melhorar muito; porque piorou. Nós temos 2,5 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola no Brasil. O número de crianças de trabalho infantil aumentou 10%, 250 mil crianças a mais em trabalho infantil; criança de 7, 8 anos trabalhando. Eu vou implementar... Aliás, trocou de Ministro várias vezes. O Senador Cristovam Buarque, um dos mais respeitáveis mestres, foi demitido do Ministério da Educação pelo telefone. Eu vou priorizar a educação.
O Governo anterior fez o Fundef, universalizou o ensino fundamental. O Fundeb, quatro anos não saiu do papel, está parado lá no Congresso Nacional. Vou priorizar creche, ensino infantil para a escola, todas as escolas brasileiras com cinco aulas. Universalização...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato, seu tempo terminou.
Presidente Lula, sua réplica em um minuto.
LULA – Eu penso que o povo brasileiro está percebendo que é mais fácil falar do que fazer. É verdade que o ENEM não mede a qualidade do ensino fundamental, mas ele mede a qualidade das pessoas que estão fazendo a prova. E São Paulo ficou em oitavo lugar. Segundo, é um problema para o Brasil, porque se no Estado mais rico as coisas não acontecem assim... O candidato não explicou por que São Paulo duplicou a reprovação no ensino fundamental e por que triplicou a reprovação no ensino médio.
Nós, que não temos toda sapiência que o candidato tenta demonstrar, fizemos apenas quatro universidades federais novas, transformamos seis faculdades em universidades, vamos inaugurar 32 escolas técnicas este ano, aumentamos de oito para nove anos o tempo de permanência das crianças no ensino fundamental, levamos a merenda escolar para a creche; e o Fundeb só não foi aprovado porque me parece que a orientação no PSDB é não aprovar nada que possa favorecer o Governo Lula. Só por isso.
ANA PAULA PADRÃO – Obrigada, Presidente. Por favor, sua tréplica.
ALCKMIN – Não é verdade. O Presidente Fernando Henrique mandou o Fundef no primeiro ano de governo; e no segundo ano o Fundef estava aprovado. Isso universalizou o ensino fundamental, hoje nós temos vagas para todas as crianças de 7 a 14. O Governo teve maioria para absolver os mensaleiros, mas não tem maioria para aprovar o Fundeb? Não sai do papel, conversa, conversa e as coisas não saem do papel. Nós fizemos. Essa história de escola de nove anos é projeto, projeto. Nós fizemos. As escolas passaram de quatro para cinco horas/aula, de cinco horas/aula para seis horas/aula e 500 escolas em tempo integral.
E quero falar com você que é mãe, quero falar com você que é jovem que eu vou priorizar a educação básica. Os países em que a educação melhorou foi por aí: creche, ensino infantil, ensino fundamental, cinco horas/aula e ensino médio universalizado. E quem não pôde estudar...
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, terminou o seu tempo.
Agora, o candidato Alckmin pergunta para o Presidente Lula. Um minuto para a pergunta a partir de agora.
ALCKMIN – Vou voltar à questão de um tema que nos parece importante, um tema para você que está em casa e que pode demonstrar bem a diferença entre as duas candidaturas, para você poder escolher bem o seu candidato.
Uma das principais revistas do mundo, The Economist, acabou de publicar uma espécie de uma copa do mundo dos países emergentes, dos países em desenvolvimento, não tem as grandes nações, não tem os países ricos, países como nós, países que estão em desenvolvimento. Publicou o rankeamento. Pegou 27 países emergentes e publicou.
Queria saber do candidato Lula em que posição estava o Brasil; se está em primeiro lugar, segundo lugar, terceiro lugar em termos de desenvolvimento nesse rankeamento desses 27 países emergentes.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, Presidente, a sua resposta.
LULA – O candidato Alckmin é daqueles brasileiros que: deu no New York Time, para ele vale; se não deu, não vale. Tem muita gente ainda no Brasil assim, colonizado intelectualmente, que prefere não ler a imprensa brasileira, para ler o que deu numa revista inglesa.
Deixa eu lhe contar uma coisa. E se o Serra estiver aqui você pode perguntar para ele no intervalo. Não há na história republicana nenhum momento da história econômica brasileira que a gente tivesse criado as condições que nós criamos agora para que o Brasil possa definitivamente ter um crescimento sustentável num ciclo de longo prazo, gerando o desenvolvimento, gerando o emprego e gerando a renda que nós precisamos gerar. Primeiro, exportações são recordes; segundo, temos uma reserva de 75 bilhões, maior do que a dívida líquida pública brasileira; terceiro, nós temos a maior geração de emprego dos últimos 10 anos; quarto, 19% das pessoas saíram da linha da pobreza neste país no nosso Governo. O Brasil, portanto, está preparado para dar o próximo salto, que é o crescimento; a inflação controlada, as pessoas comprando comida mais barata, as pessoas podendo comprar material de construção mais barato, as pessoas podendo renovar a sua casa, a construção civil está vivendo um momento melhor dos últimos vinte anos. A economia brasileira está, não tanto quanto eu queria, no ápice, mas ela está num momento excepcional de garantia, que posso olhar na cara de cada mulher e de cada homem e dizer: o Brasil finalmente se preparou para crescer e se preparou para se desenvolver; sem mágica, sem pirotecnia, mas com muita seriedade e com muito trabalho, inclusive com muita credibilidade externa, que é o que nos garante afirmar ao povo brasileiro: não perca por esperar porque o Brasil vai crescer muito nos próximos quinze anos.
ANA PAULA PADRÃO – Sua réplica, por favor, candidato Alckmin.
ALCKMIN – Olha, aqui é importante, você que está em casa, ver a diferença das duas propostas. Ele já teve a sua oportunidade, quatro anos, e não fez, está pensando daqui há quinze anos. O Brasil cresceu 2,3% o ano passado. Na América Latina só ganhou do Haiti. Dos 27 países foi o 27º. Se crescesse o dobro ainda continuaria sendo o último. Eu não estou satisfeito com isso. O Brasil crescendo 2% não vai diminuir pobreza, não vai reduzir o desemprego. Essa é a taxa de natalidade da década de 80. Você que está em casa sabe. E quem está sofrendo mais? O jovem! Quarenta por cento dos desempregados são jovens. As mulheres estão sofrendo, porque o desemprego nas mulheres é muito maior do que nos homens. As pessoas com mais de 40 anos estão sofrendo, porque é mais difícil ter emprego. Para mim não está bom, o Brasil pode crescer muito mais.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato.
Tréplica, um minuto, por favor.
LULA – E o Brasil vai crescer muito mais porque nós preparamos o Brasil para crescer. O Brasileiro, Alckmin, ele é inteligente e sabe como eu herdei este País, ele sabe que foram vinte anos de atrofiamento, uma década perdida e outra década perdida. E quando nós entramos o Brasil estava totalmente descontrolado, até sem crédito para as nossas importações, até sem crédito para as nossas exportações, o risco Brasil a 2.400. E o que nós fizemos? Com o pé no chão, vamos fazer as coisas que temos que fazer, construir um alicerce forte, depois vamos construir uma parede sólida e o Brasil está preparado para crescer e crescer muito. O que eu fico triste é comparar o Brasil com o Haiti. O Brasil não pode ser comparado nem com o Haiti e nem com a China, tem que ser comparado consigo mesmo, com a sua história, com a quantidade de mágica que se tentou fazer no país com discurso fácil, se faziam os planos e no dia seguinte os planos quebravam e o povo quebrava a cara. Agora, não, agora o povo sabe...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, seu tempo terminou, Presidente.
Agora o Presidente Lula faz uma pergunta ao candidato Alckmin. O senhor tem um minuto para a pergunta.
LULA – Alckmin, vamos fazer uma pergunta agora sobre um tema que parece que você não gosta, mas é um tema da ordem do dia, porque é um tema do PSDB, que é a questão das privatizações.
Todo mundo sabe o que ocorreu no Governo passado no Brasil, porque tudo foi praticamente privatizado e o que aconteceu foi que se vendeu por 100 bilhões, a dívida aumentou substancialmente e não resolveu o problema do País; pelo contrário, o Brasil quase quebrou. Então quero saber: você foi coordenador do sistema de privatização de São Paulo, acabou de privatizar a Ceteb. Ou seja, sem que a gente fique nervoso aqui, é apenas para discutir, ou seja, qual é a sua visão realmente sobre privatização? O que você pensa sobre privatização? Porque tanto o PSDB fez a nível nacional, como foi feito a nível do Estado. Então queria saber, para o povo brasileiro saber o que você pensa sobre esse assunto.
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, dois minutos.
ALCKMIN – Ok. Primeiro eu queria lembrar, ainda sobre a questão do emprego, o candidato Lula não reconhece nada do que foi feito antes dele; e tem os olhos voltados para o passado, está sempre voltando para trás. Eu tenho os olhos no futuro, acho que o Brasil pode muito mais, está perdendo tempo. Quando ele assumiu, tinha oito milhões de pessoas desempregadas; hoje tem nove milhões de pessoas desempregadas. O Brasil andou para trás, a indústria têxtil está demitindo, a indústria de roupa, a indústria de calçado, a indústria de brinquedo, a indústria de móvel, a agricultura, uma enxurrada de produto chinês aqui dentro tomando o emprego dos brasileiros, um câmbio totalmente fora de órbita, juros absurdos, impostos subindo... Nós somos diferentes. Eu vou reduzir importo, eu vou reduzir juros. Para mim a prioridade número 1 é o Brasil crescer e é emprego.
Em relação à privatização, feita à época do Governo anterior, e ele gosta de voltar para o passado, ela teve avanços. Vou dar um exemplo, que é a telefonia. Quem que tinha telefone antigamente antes da privatização? Tinha que declarar no Imposto de Renda, três mil dólares um telefone! Hoje, 90 milhões de brasileiros têm um celular, fora a telefonia fixa, mais de 70 mil empregos foram gerados, 100 bilhões investidos no Brasil. Aliás, se estivesse errado ele devia ter reestatizado. Não reestatizou nenhuma empresa, nenhuma! Aliás, fala que eu vou privatizar, não tem nenhum problema; privatizar se for correto deve ser feito, o que não pode é mentir, mentir, dizer que eu vou privatizar o Banco do Brasil, a Petrobras, o Correio, a Caixa Econômica, quando é mentira. E mais, eu não privatizei o Banco de São Paulo; ele privatizou o Banco do Maranhão, privatizou o Banco do Estado do Ceará...
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, seu tempo terminou.
Presidente Lula, sua réplica em um minuto.
LULA – Como sempre, o nosso candidato responde pouco as coisas que a gente pergunta. Eu queria lembrar, não é para relembrar o passado, mas apenas para rememorizar a cabeça. Ou seja, este País foi privatizado 200 milhões de reais. Depois foi provocado um desequilíbrio, que é o maior da história do País em oito anos de governo. Depois conseguiram não só dobrar a dívida pública, como aumentar a carga tributária em 10% do PIB. E ainda quero saber aonde foi parar esse dinheiro, porque não foi aplicado esse dinheiro em política social, não foi aplicado na geração de emprego, não foi aplicado em nada. Então quero saber o seguinte: aonde esse dinheiro foi parar? É isso que o povo pergunta.
E a questão de emprego, vou te dizer uma coisa, meu caro candidato, nós criamos algumas vezes mais empregos do que no governo passado e emprego com carteira profissional assinada, acordo salarial melhor, criamos a indústria naval, recuperamos ela, recuperamos a indústria ferroviária deste país...
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, seu tempo está esgotado.
Por favor, candidato Alckmin, um minuto para tréplica.
ALCKMIN – Olha, nós temos aqui uma grande diferença. E é bom que você que está em casa possa comparar para poder escolher. Ele acha que está bom o Brasil crescer 2%. Aliás, diz que o Brasil não tem pressa para crescer; é o contrário do Juscelino Kubitscheck, que queria fazer 50 anos em cinco. Eu tenho pressa, porque a questão número 1 do país é o seu filho poder ter emprego, ter oportunidade de trabalho. E o Brasil está indo para trás. Para gerar emprego, precisa ter taxa de investimento. No mundo inteiro os investimentos sobem, no Brasil está caindo; os investidores produtivos, fábricas, turismo, negócios estão indo embora; juros, o maior do mundo; carga tributário o dobro do México, da Argentina, do Chile. Aliás, aumentou mais 3% no Governo do Lula. E ele diz que não vai cortar gasto. Então vai aumentar ainda mais.
Nós somos diferentes. A minha receita vai ser outra. Eu vou cortar gastos, eu vou reduzir juros, eu vou reduzir imposto para fazer o Brasil crescer, que é isso que interessa.
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, terminou o seu tempo. Agora o senhor tem direito a uma pergunta ao candidato Lula, Presidente. Um minuto, por gentileza.
ALCKMIN – Eu quero voltar à questão da saúde. O candidato Lula disse que a saúde está chegando à beira da perfeição, numa declaração que ele fez há pouco tempo. Primeiro, eu fui operado três vezes. As três vezes eu fui operado na Santa Casa de Pindamonhangaba; aliás, onde trabalhei como médico, trabalhando para diminuir o sofrimento das pessoas. Hoje o hospital que às vezes eu vou é o mesmo dele, é o Incor, mantido com o imposto do povo de São Paulo e uma das melhores instituições do País. E não estou satisfeito com a saúde. Acho que a saúde vai mal e ela pode melhorar muito. E não é por falta de dinheiro, porque a CPMF arrecadou no ano passado 30 bilhões de reais. Vou trabalhar na questão da saúde da mulher. Está aumentando o câncer de mama, falta até mamógrafo, os hospitais estão sucateados e o Governo Lula tirou da saúde...
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, o seu tempo terminou.
Por favor, Presidente, dois minutos para a resposta.
LULA – É uma questão de ponto de vista e não posso esperar nunca que o meu adversário reconheça alguma coisa. Seria importante que ele fosse perguntar para o povo como é que está vendo a saúde neste País. Obviamente que a saúde precisará melhorar sempre, mas a verdade é que ela nunca esteve na situação que está, com a qualidade de atendimento às pessoas. Eu dei os números aqui de dinheiro que estamos colocando para recuperar hospitais. Se a saúde do Rio de Janeiro não ficou tão boa é porque a pessoa que está te apoiando sequer aceitou colocar em funcionamento as ambulâncias que nós mandamos para lá; sequer resolveu fazer com que os hospitais tivessem a ajuda de 330 milhões que estamos colocando para recuperar os hospitais de emergência. E estamos fazendo quase que a universalização geral da saúde no Brasil.
Então, Alckmin, espero que um dia você vá, já faz tempo que você foi na casa de Pindamonhangaba, espero que você vá agora, que vai perceber que certamente melhorou.
A segunda coisa é com relação ao crescimento da economia. Primeiro, o Brasil já teve um momento em que a economia cresceu 10% ao ano. E a questão social era zero neste País. Menos gente ficou rica e mais gente ficou pobre. Nós estamos provando que é possível a gente crescer com distribuição de renda, nós estamos provando que é possível crescer fazendo uma forte política social neste País. Aliás, os indicadores mostram que há uma diminuição da pobreza no Brasil, que a participação de 50% mais pobres cresceu na economia e a participação dos 10% mais ricos caiu na economia. Isso conta. É por isso que existe um fenômeno no meio da sociedade brasileira de perceber quando alguém faz só discurso e quando alguém faz realmente as coisas acontecerem. Tenho certeza de que o povo que está em casa está percebendo o seguinte: tem mais emprego e pode ser criado muito mais...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, Presidente. Vou pedir aos dois candidatos que se atenham ao tempo para que haja justiça no debate. É apenas este o motivo. Vamos cumprir as regras.
Por gentileza, candidato Alckmin, o senhor tem um minuto para réplica.
ALCKMIN – Olha, em relação ao emprego, não é possível acharmos que o Brasil está condenado a crescer dois por cento. Alguma coisa está errada. Como é que pode o mundo cresce 5%, os países emergentes, 7%, a Argentina, 9%, a China, mais de 10%, o Brasil, 2. É evidente que está errado.
Sobre a questão da saúde, acho que o candidato Lula não sabe o que é um hospital público, uma emergência do SUS, um pronto socorro de um hospital público para achar que está tudo uma maravilha. E não adianta querer transferir responsabilidade para o prefeito do Rio de Janeiro, porque o Governo Federal tem a maior rede hospitalar federal no Rio de Janeiro. É do Governo Federal a rede! Ele pode ir visitar o Hospital de São Gonçalo, o Hospital do Fundão, o Hospital do Estado, dos Servidores, para verificar o estado que está de sucateamento à saúde. E tirou 1,6 bilhão de...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato.
Presidente Lula, a sua tréplica em um minuto, por favor.
LULA – Não só sei como é a saúde pública, como estou cuidando dela como não foi cuidada no Estado de São Paulo e como não foi cuidada nos momentos em que vocês governaram o Brasil durante oito anos. A saúde brasileira precisa melhorar, mas se comparar os dados que nós fizemos com os dados que nós herdamos certamente nós dobramos praticamente em tudo. Recursos de 28 para 44 bilhões de reais, eu disse dos investimentos que estamos fazendo no Rio de Janeiro de 330 milhões de reais nos hospitais de emergência no Rio Grande do Sul e em outros estados da federação, fazendo aquilo que vocês não fizeram, porque tem muita gente neste País que quando quer operar corre lá para fora e não sabe como funciona o setor público. E nós fizemos isso.
Com relação ao crescimento da economia, a economia brasileira só pode crescer se tiver base concreta para crescer. E nós criamos a base para crescer. Por isso posso dizer que a economia brasileira vai crescer de cinco a acima de cinco nos próximos dez anos.
ANA PAULA PADRÃO – Chegamos então ao fim do segundo bloco deste debate, que está sendo transmitido ao vivo pela Rede SBT e também pela TV Cultura e TVs Educativas.
Faremos agora um pequeno intervalo e voltamos para o terceiro bloco, para mais perguntas entre os candidatos.
Até já.
ANA PAULA PADRÃO – O SBT volta a apresentar, ao vivo, o debate entre os candidatos à presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin.
Neste terceiro bloco, continuam as perguntas de candidato para candidato. De acordo com a ordem do sorteio realizado ontem, na presença das assessorias dos dois candidatos, o primeiro a perguntar será o candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Presidente, o senhor tem um minuto para a pergunta, a partir de agora.
LULA – Um minuto só?
ANA PAULA PADRÃO – Só um minuto.
LULA – Eu só queria dizer ao candidato Alckmin que as perguntas sobre privatizações me parece que ele não gosta de responder. Eu não vou nem perguntar mais. Eu vou perguntar sobre um programa chamado Luz para Todos.
Um programa que é extremamente importante e não só ele passar para a história do Brasil como o Presidente que acabou o último candeeiro. Nós nesses primeiros quatro anos já fizemos praticamente o que até agora chegaremos a 5 milhões de pessoas atendidas e temos o compromisso de atender 12 milhões de pessoas até 2008. Um programa que nós fazemos praticamente de graça por meio do Governo Federal. Digo de graça porque São Paulo assumiu um compromisso conosco de dar 10% e não deu nada até agora. Mesmo assim nós estamos fazendo. Graças a Deus, no próximo orçamento, o Cláudio Lembo colocou alguma coisinha para participar.
Esse programa, como o candidato que...
ANA PAULA PADRÃO – Presidente, terminou o seu tempo. Por favor, dois minutos, candidato Alckmin.
ALCKMIN – Olha, o candidato Lula, ele é ótimo para mudar de nome os programas. Eu vou recuperar para você, que está em casa, algumas coisas.
No Governo anterior, tinha o Bolsa-Escola, compromisso criança na escola: 15, 30, 45 reais. Tinha o Bolsa-Alimentação: 15, 30, 45 reais, compromisso criança no centro de saúde, para evitar desnutrição infantil. Tinha o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), tinha o Vale-Gás, mudou para Bolsa-Família. O Luz para Todos é o Luz no Campo, que o Presidente Fernando Henrique fez, e que não tem só participação do Governo Federal. Tem a participação dos governos estaduais e é óbvio que nós vamos manter, vamos ampliar, energia é coisa importante.
Agora, já que se tocou na questão do campo, e a energia é importante, eu queria perguntar ao candidato Lula uma questão que interessa a todo mundo que está na zona rural. Eu vivi até os 16 anos de idade na roça. Nunca morei na cidade. Meu pai é funcionário público e morava na zona rural. Todos os governos que passaram fizeram irrigação: 10 mil hectares, 20 mil hectares, 30 mil hectares. Todos. O Governo do Presidente Fernando Henrique foi o que mais fez, o Presidente Sarney, o Presidente Itamar e também o Collor, todos fizeram. O Governo Lula foi o único que não fez um hectare de área irrigada. Lá em Petrolina está abandonado o projeto de irrigação do Pontal, em Pernambuco. Lá em Juazeiro, na Bahia, está abandonado o projeto do Salitre de irrigação e do Baixo do Irecê. Todos os projetos de irrigação parados.
O Luz para Todos eu vou continuar. Tem Ação Conosco, o Luz no Campo...
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, por favor.
Presidente Lula, réplica, 1 minuto, por favor.
LULA – Olha, eu acho que o Alckmin se faz de não entendido quando eu faço a pergunta. Primeiro, não tem nada a ver o Luz no Campo com o Luz para Todos. O Luz no Campo era um programa tão pequeno e atendia a tão pouca gente porque se cobrava pelo Luz no Campo, não era de graça. Nós resolvemos fazer um programa que alguns governadores cumprem e eu disse que São Paulo não cumpriu. E embora o Governador tivesse assinado um compromisso não deu um centavo. No orçamento do ano passado colocou 10 reais no orçamento apenas para constar no orçamento. Mas não deu nenhum centavo.
E nós atendemos às pessoas aqui apenas com o dinheiro do Governo Federal. E todo mundo sabe o que significa isso no Brasil, todo mundo sabe o que significa no mundo chegar uma luz na casa de uma pessoa. É tirar a pessoa no século XVIII e levá-la para o século XXI. É tirar esse pessoal das trevas. E estamos fazendo isso sem a parceria dele, e ele agora fala que vai fazer.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato.
Sua tréplica.
ALCKMIN – Já fez eletrificação rural há muito tempo. Eletrificação rural já é uma realidade. Aliás, dia desses estive em Minas Gerais e o Governador Aécio Neves estava reclamando: O Lula fica pondo na televisão o Luz no Campo, para Todos, mas não diz que nós, Estados, pagamos e que as concessionárias, como a CEMIG, pagam. E ele não respondeu sobre irrigação. Por quê? Porque ele não fez um hectare de área irrigada. Cada um hectare de área irrigada gera três empregos. Tudo abandonado. Investimentos enormes. Único Governo que não levou água para o Semi-Árido, que não irrigou um hectare, e que não deu ao menos continuidade às obras do Governo anterior. Eu fui ver lá em Petrolina, um canal pronto, cheio de água, juntando mosquito da dengue, que não pode ser utilizado porque não tem as obras complementares.
ANA PAULA PADRÃO – Candidato Alckmin, agora é sua vez de perguntar. Um minuto, por gentileza.
ALCKMIN – Olha, eu queria perguntar ao candidato Lula sobre o seguinte fato: os gastos do Governo Federal com os juros da dívida em três anos foram de 329 bilhões de reais. O bolsa-juros. Vou repetir para você que está em casa. Dinheiro nosso, dinheiro público. São 329 bilhões de reais de juros. Aliás, 138 bilhões a mais do que o mesmo período do Governo do Presidente Fernando Henrique. Sem nenhuma crise no cenário internacional extraordinário, o lucro dos bancos foi de 20 bilhões por semestre. O triplo do que era no governo anterior. É possível que essa bolsa-banqueiro, esse grande programa de concentração de renda, 329 bilhões...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato.
Por favor, Presidente Lula.
LULA – Você imagina quanto vocês pagavam quando o juro era 53% e não 13 e 75. Imaginem quanto vocês pagavam!
Eu tenho dito sempre ao povo brasileiro o seguinte: eu quero que o banco ponha dinheiro, emprestando dinheiro mais barato e isso está acontecendo. Porque se ele não ganhar dinheiro, quando ele quebra, tinha sim um PROER, como vocês criaram, que aí sim, arromba a economia deste País.
É verdade também dizer que as empresas brasileiras, pela primeira vez depois de 23 anos, tiveram mais lucro do que o banco. Mas não foram apenas os bancos e os empregados que ganharam, 90% dos assalariados como sempre acima da inflação. A média do trabalhador cresceu neste País. As pessoas mais pobres cresceram neste País. As pessoas estão comendo mais, as pessoas estão vivendo mais.
Então, nós trabalhamos exatamente para que todos possam viver neste País dignamente. E acho que o banqueiro brasileiro, quando quebra, o Brasil tem um prejuízo extraordinário. Eu estou convencido de que nós estamos fazendo a política correta. O juro está caindo. A Taxa SELIC já está a 6,85%, é a menor desde que foi criada. O juro de crédito está caindo. As pessoas hoje podem comprar um computador por 50 reais a prestação. Nós estamos fazendo distribuição de livros, 120 milhões de livros que distribuímos ao povo estudante deste País, inclusive livro em braile para as pessoas portadoras de deficiência.
Se perguntarem para mim: o Brasil está uma maravilha? Não. Ainda falta muito para ser feito, muito mesmo. Mas ninguém fez com a solidez que nós fizemos. Hoje um aposentado, um trabalhador vai a um banco, pega dinheiro emprestado pela metade do juro ou por um terço daquele que pegavam quando vocês governaram o Brasil.
Acho que nós podemos fazer muito mais e vamos fazer, porque encontramos o caminho das pedras e, certamente, o povo brasileiro hoje está muito mais feliz do que estava quando vocês governaram este País.
ANA PAULA PADRÃO – Obrigada, Presidente.
Eu vou pedir à platéia que, por gentileza, não se manifeste enquanto os candidatos estiverem falando, por uma questão de respeito aos telespectadores e aos candidatos que estão se manifestando.
Por favor, candidato Alckmin, um minuto para sua réplica.
ALCKMIN – Olha, você que está em casa, eu quero dizer para vocês que nós somos diferentes. Aqui tem duas candidaturas diametralmente opostas. Ele acha que está tudo bom, está tudo uma maravilha. E dá uma novela. A realidade é muito diferente. Trezentos e vinte e nove bilhões de reais com juros. O Brasil tem a maior taxa de juros real do mundo. Isso levou o câmbio a essa situação gravíssima que está quebrando a indústria brasileira, como quebrou a agricultura brasileira.
Não tem dinheiro para dar o aumento para os aposentados. Oito milhões de aposentados cuja média é de 2 salários mínimos, mas só o ano passado 156 bilhões para pagar de juros, sem necessidade, sem nenhuma crise, nenhum ataque à moeda, a não ser uma política econômica errada, que impediu o Brasil de crescer.
ANA PAULA PADRÃO – Candidato.
Presidente Lula, um minuto.
LULA – Na campanha política vale tudo mesmo.
O candidato até falar em aumento para os aposentados. Nós não apenas demos um aumento de 5% para os aposentados, como foi o resultado de um acordo feito com todas as centrais sindicais e os aposentados dessas centrais. O PFL e o PSDB, para fazer demagogia, tentaram estender o aumento que nós demos ao salário mínimo, que é o maior dos últimos 30 anos, para os aposentados, sabendo que a Previdência não poderia dar. Apenas para permitir que ele fizesse esse discurso aqui para tentar enganar quem sabe uma mulher ou um senhor que está aposentado.
A segunda coisa que eu acho importante ficar claro para o Brasil é que nós neste País ficamos discutindo câmbio muitas vezes sem entender. O câmbio brasileiro está baixo sabe por quê? Porque tem excesso de dólar no Brasil. Eu disse no começo, são 75 bilhões de dólares de reservas, coisa que nunca aconteceu.
No Governo deles, todo final de ano o Ministro da Fazenda ia pedir ajuda para...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, Presidente.
Presidente Lula, agora o senhor tem direito a sua pergunta. Um minuto, por gentileza.
LULA – Eu vou voltar a essa questão dos gastos aqui, porque há uma contradição que eu quero que o nosso telespectador perceba a diferença entre aquilo que se fez e aquilo que se propõe fazer.
Eu estou vendo falar em cortar gastos, cortar gastos, cortar gastos, eu estou vendo muita coisa. Eu estou vendo dizer que vai cortar 60 bilhões, um assessor seu, no seu programa de governo está escrito que fará um corte de 4,4% do PIB, que são quase 90 bilhões de reais. Eu gostaria de saber como que num orçamento em que o Governo Federal tem 455 bilhões de reais, dos quais só 22 bilhões não estão comprometidos, como o candidato Alckmin vai fazer todos os gastos que ele diz que vai fazer para agradar a um pequeno setor da elite brasileira?
ANA PAULA PADRÃO - Obrigada.
Por favor, candidato, dois minutos.
ALCKMIN – Olha, primeiro, em relação a essas ironias, eu queria dizer o seguinte: na área social, o Governo atual — são estudos do Prof. Márcio Pochmann, que aliás é professor da UNICAMP e é do PT —, reduziu na saúde 7,49%, comparado com o Governo anterior. Reduziu na educação e cultura 5,4%. No saneamento e habitação reduziu 44%. Eram 14,06% por 1 per capita e baixou para 7,87%. Reduziu tudo, tudo.
Agora queria dizer que nós temos uma diferença. Importante você eleitor saber que nós somos candidatos diferentes. Ele não vai cortar gasto, já disse isso. Vai manter os 34 Ministérios, os 40 mil petistas, os companheiros, a companheirada nos cargos em comissão. Está errado.
Eu vou cortar gasto. Porque se não cortar gasto, não dá para baixar imposto. E o Brasil não vai crescer com 40% do PIB. Os estudos da GV mostram que só na corrupção o País gasta 3,5 bilhões de dólares.
Eu economizei, como Governador, num Estado que tem 1/8 do orçamento federal, só em compras eletrônicas, 4 bilhões de reais em três anos e meio. E vou respeitar o seu dinheiro. Vou fechar as torneiras do desperdício. Vou reduzir o número de Ministérios. Diminuir cargo comissionado. Fazer conta eletrônica, para não ter sanguessuga, não ter roubo na compra de ambulância. Vou fazer mais com o dinheiro do povo, para quê? Para o Brasil crescer. Porque, se continuar do jeito que está mais quatro anos, o Brasil não vai crescer. Não vai ter emprego, com essa carga tributária de 40% do PIB, que é o dobro da Argentina, do México. O trabalhador brasileiro trabalha janeiro, fevereiro, março, abril, maio para sustentar Governo!
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato. O seu tempo está esgotado.
Presidente Lula, um minuto.
LULA – Olha, é muito fácil falar, não é, Alckmin? É difícil fazer. Você já percebeu que você acabou de falar que vai criar mais um Ministério? Nós temos quatro Ministérios ou cinco, Ministério da Pesca, Ministério da Mulher, Ministério da Igualdade Racial, Ministério de Direitos Humanos, que são secretarias que juntas têm um orçamento de 100 milhões de reais, mas que têm um valor para a sociedade incomensurável. Incomensurável! E eu quero te dizer que não vou acabar.
E eu acho que o Brasil não tem como cortar. O Brasil precisa definitivamente ter crescimento econômico que somente nós, com a seriedade que o Governo tem vamos fazer, porque durante todo o tempo em que vocês governaram, oito anos, o Brasil não cresceu o tanto que cresceu conosco. Não aumentou a renda como aumentou com o nosso, não reduziu o juro o tanto que reduziu com o nosso, não controlou a inflação como nós controlamos durante oito anos. Então, em quatro nós fizemos o que vocês não fizeram em oito.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato.
Tréplica, um minuto.
ALCKMIN – Você que está em casa está vendo a diferença. O candidato Lula disse que não vai cortar gasto. Vai manter todos os Ministérios. Aliás, ele disse que quatro Ministérios consomem 100 milhões de reais. Só o "aerolula" custou 150 milhões de reais. Mais que o orçamento de quatro Ministérios.
O governante tem que dar exemplo. Ou o Brasil cria uma cultura de acabar com o desperdício e respeitar o seu dinheiro. Isso que o Mário Covas fez aqui em São Paulo, e fez bem feito, que o Serra fez na prefeitura, o Aécio fez em Minas Gerais, eu aprendi a fazer, com menos gastos, com gastos de melhor qualidade, gastar aquilo que interessa. É possível ter imposto mais baixo. O Brasil crescer mais, ter mais emprego, mais renda, com juros mais baixos, câmbio mais competitivo.
Eu quero ser Presidente porque acho que o Brasil está perdendo tempo e pode ser melhor.
ANA PAULA PADRÃO – Candidato, o seu tempo está encerrado.
Agora a sua vez de perguntar. Um minuto, por gentileza, a partir de agora.
ALCKMIN – Eu quero voltar a uma questão que me parece importante para a população brasileira, que é a questão da saúde, é a vida das pessoas. O que adianta a gente ter as demais coisas se a gente não tem saúde? Aliás, a gente só valoriza a saúde quando perde, quando fica doente. E 78% da população brasileira dependem do SUS. Eu fico triste porque fui relator da Lei Orgânica de Saúde, trabalhei muito para organizar o Sistema Único de Saúde e quando o Serra era Governador foi aprovada uma PEC, estabelecendo o número de recursos para a saúde.
Em São Paulo, como Governador, eu cumpri a PEC e investi mais de 12%. O Governo Federal, primeiro, não regulamentou exatamente para não ter que gastar e investir na saúde. Embora tenha a CPMF 30 bilhões, ano passado deixou de investir na saúde 1,6 bilhão de reais...
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato.
Presidente Lula, dois minutos.
LULA – É que o Alckmin faz parte de um tipo de gente que acha que investir em comida para o pobre não é investir na saúde. Eu vou repetir aqui e quero agradecer a oportunidade da pergunta para repetir os números, para os ouvidos do meu adversário e para o povo brasileiro.
O aumento da saúde em dinheiro saiu de 28 bilhões para 44 bilhões e 300 milhões. O número de equipes de saúde e médicos de família cresceu 57%, de 16,7 para 26 mil. Os agentes comunitários saíram de 175 para 270 mil. Na saúde bucal, que só tinham 4 mil, foi para 14 mil e nós criamos 400 centros de saúde bucal, porque no Brasil dente não era tratado para pobre, pobre arrancava. Nós agora estamos permitindo até que tenha ortodontia, que tenha prótese para que as pessoas pobres possam ter todos os dentes na boca.
Nós criamos o SAMU e quem está em São Paulo sabe o que significa o SAMU para São Paulo e para as outras Capitais, e estamos atendendo hoje a 117 Municípios. No Rio de Janeiro são 300 milhões para obras de equipamento em hospitais de urgência, Souza Aguiar, Hospital da Conceição, Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, Hospital de Queimados.
Nós estamos fazendo o que deveria ter sido feito há 20 ou 30 anos e não fizeram. E com muita responsabilidade nós estamos fazendo. Além da farmácia popular. Você que é médico sabe de uma coisa: uma pessoa gastava neste País 130 reais para comprar insulina, se tomasse todo dia; agora gasta 13 reais. Ou seja, está economizando 1/3 do salário mínimo e está guardando para no final do ano tirar umas férias.
Então, a nossa política de saúde certamente não é a mais perfeita, mas certamente é muito melhor do que qualquer outro momento que já tivemos aqui no Brasil, porque a saúde era um privilégio de poucos e agora nós queremos que ela seja um direito de todos.
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato Alckmin, um minuto.
ALCKMIN – Olha, eu queria dizer o seguinte: retirar 1,6 bilhão de reais da saúde não está correto. Governar é escolher. Não dá para tirar recurso da saúde onde a população precisa do SUS. A qualidade do SUS está piorando. Nós estamos retrocedendo na questão da saúde.
Uma primeira tarefa que vou fazer vai ser investir na saúde, controlar o gasto, fazer controle de custos, para não ter desvio de dinheiro, hierarquizar o sistema de saúde, recuperar os hospitais, levar cama para onde não tem. Nós temos regiões de meio milhão, seiscentas mil pessoas sem uma cama. Criar os centros de especialidade, levar água. Trinta milhões de pessoas sem água.
E eu queria saber também do candidato, que não responder por que tirou o dinheiro da saúde, por que este ano o Brasil, com 24 milhões de deficientes, está investindo 400 reais...
ANA PAULA PADRÃO – Por favor, candidato, o seu tempo acabou. O senhor já gastou o seu tempo.
Por favor.
LULA - Ele faz pergunta fora de hora. Ele ,ao invés de responder, faz pergunta.
ANA PAULA PADRÃO – Ele pode usar o tempo dele da maneira...
LULA – Deixa eu falar uma coisa. Eu acho que os nossos telespectadores poderiam perguntar para os hospitais, poderiam perguntar para os hospitais universitários que estavam todos falidos e quebrados e que nós colocamos 270 milhões para recuperá-los. Ele não conta que investimento em saneamento básico é cuidar da saúde. Nós, em quatro anos, investimos 14 vezes mais do que o Governo passado.
Se ele não sabe, no último ano do Governo deles, tinha apenas 262 milhões de reais para saneamento básico. Nós já colocamos 10 bilhões e meio, inclusive emprestando para o Estado de São Paulo quando o Alckmin era Governador do Estado de São Paulo. E não emprestamos mais porque se ficaram com tanta burocracia no Banco Central que nós temos que desmontar para fazer com que as pessoas recebam saúde, porque para mim, prevenir a saúde é mais barato do que ...
ANA PAULA PADRÃO - Candidato, tempo encerrado.
Bom, chegamos aqui ao fim do terceiro bloco deste debate que está sendo transmitido ao vivo pela Rede SBT e também pela TV Cultura e TVs Educativas. A gente faz agora um pequeno intervalo e voltamos para as considerações finais de cada candidato.
Até já.
ANA PAULA PADRÃO – O SBT volta a apresentar, ao vivo, o debate entre os candidatos à Presidência da República, Luis Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Este quarto bloco será dedicado às considerações finais de cada candidato. De acordo com a ordem do sorteio realizado ontem, na presença das assessorias dos dois candidatos, o primeiro a se manifestar será o candidato Luis Inácio Lula da Silva. Presidente Lula, o senhor tem três minutos a partir de agora.
LULA – Eu queria dizer ao povo brasileiro que está nos assistindo que estamos pedindo a vocês que reflitam com os dois projetos que estão em discussão aqui no país. De um lado temos um candidato que, depois de governar o Brasil oito anos e um estado doze anos, diz muitas coisas que não fez no Estado e que promete fazer. Segundo, vou terminar a minha fala dizendo algumas coisas que fizemos, com números, para que nosso candidato anote aí: redução da fome, da miséria e das desigualdades, 8,4 milhões de brasileiros saíram da miséria e 7 milhões entraram na classe média; crescimento da ocupação de 7,8 milhões de oportunidades de trabalho e formalização de cinco milhões e seiscentos mil empregos; aumento do salário mínimo de 26% - dava para comprar 1,4 cesta básica quando eu ganhei as eleições e hoje as pessoas compram 2,4 cestas básicas, ou seja, o dobro, 71%; educação, 5.300.000 foram alfabetizados – 139 no Pró-Jovem e 204 mil no Pró-Uni, dez novas universidades e 48 extensões universitárias; ampliação dos programas sociais para onze milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família; diversificação da matriz energética, 840 milhões de biodiesel comercializado e o Brasil vai se transformar na grande potência energética do mundo; proteção ao meio ambiente e redução do desmatamento; e nós, que tínhamos prometido formar dez mil doutores em quatro anos, formamos dez mil e seiscentos doutores em apenas três anos e meio. Eu queria dizer essas coisas porque os números fluem na boca das pessoas com muita facilidade e cada um pode falar o que quiser. O dado concreto é que o passado condena alguns, absolve outros, e a prática política pode fazer vocês entenderem melhor. É verdade que eu tenho um sonho, um sonho de transformar o Brasil no país mais democrático do ponto de vista do acesso à universidade, eu tenho um sonho de gerar empregos, e muitos empregos, porque vivi duas crises na minha vida, como trabalhador e sei o que significa o emprego. É por isso que estamos investindo tanto na formação profissional, porque eu sei qual é a diferença de um trabalhador sem profissão e um com profissão, para arrumar emprego. De forma que o povo brasileiro já conhece bem o candidato Alckmin, já me conhece bem. Eu só peço a Deus que no dia 29 de outubro o povo reflita na hora de votar e vote naquilo que ele está vendo no Brasil, vote no crescimento econômico, vote no controle de inflação, vote no controle do custo de vida, e vote para que o Brasil se transforme definitivamente num país rico, uma das maiores democracias do mundo.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato. Por favor candidato Alckmin, agora, três minutos.
ALCKIMIN - Quero agradecer você que está em casa, que ficou até essa hora da noite para assistir a esse debate, para pode ter um juízo de valor, poder escolher bem o seu candidato no dia 29; agradecer aqui à Ana Paula Padrão, cumprimentar o candidato Lula, e dizer a vocês o seguinte. O PT teve a sua oportunidade, quatro anos – quatro anos. O que nós vimos? Sob o ponto de vista ético, um descalabro; sob o ponto de vista de gestão, um governo que não funciona; 34 ministérios; saúde piorando; educação piorando; segurança pública numa situação extremamente grave; e, sob o ponto de vista do crescimento, o Brasil perdeu oportunidade, deixou passar uma grande oportunidade, praticamente não saindo do lugar, ficando parado, com crescimento de apenas 2%. Eu quero dizer do que eu também não vou fazer. Eu não vou permitir, nas empresas estatais, a sua privatização para partido político, como o PT fez. Isso está errado, as empresas são para o povo, para servir à sociedade. Vou desaparelhar o Estado. O Governo não é para os companheiros, o Governo é para servir ao povo, política é serviço. O Mário Covas dizia, administração primeiro é gente, segundo é gente, terceiro é gente – se você não tem a pessoa certa no lugar certo, nem com dinheiro não faz, desperdiça, joga fora, tem ineficiência, corrupção. E quero dizer, finalmente, que vamos trabalhar pelo emprego. Esse é o grande problema brasileiro. E emprego é investimento; Governo gera emprego de forma complementar; quem gera empregos são os empreendedores, indústria, comércio, agricultura, serviços, turismo. E é isso que vamos fazer, baixar juros, acabar com desperdício, ter um governo eficiente, para o Brasil crescer. Eu trabalho desde os dezoito anos de idade, sou filho de funcionário público, trabalhei de noite para pagar meus estudos e ajudar meu pai, e sei quanto foi importante para mim o meu primeiro salário, como professor de Madureza, naquela época, do Supletivo – o primeiro "salariozinho" que recebi, como aquilo fez bem para mim, para minha auto-estima, ter um pouco de independência. É isso que quero para o seu filho, para o seu neto que sabe que de cada dez jovens, quatro estão desempregados. O jovem não pode ter medo do futuro; o Brasil está com a receita errada; nós vamos trabalhar para por a receita certa. O Governo não pode ser caro, pesado, mas tem que ter ativismo econômico; estabilidade não é plano econômico, plano econômico é crescimento. O Brasil pode mais e merece mais.
ANA PAULA PADRÃO – Muito obrigada, candidato. O SBT encerra aqui esse debate. Eu gostaria de agradecer, mais uma vez, a presença dos dois candidatos, Luis Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, que com esse encontro, de discussão de programas de governo, de propostas para governar o Brasil deram ao telespectador, e ao eleitor brasileiro, mais uma chance de refletir sobre o seu próprio futuro. Nós agradecemos, também, a todos que de alguma maneira contribuíram para a realização desse encontro, aos convidados, pela presença, e ainda às empresas que transmitiram simultaneamente este programa, às emissoras afiliadas ao SBT, à TV Cultura, e TVs Educativas. Em nome do SBT e do Departamento de Jornalismo, muito obrigado a todos pela companhia, e até amanhã." Powered by AkoComment 2.0! |