Belo Horizonte, 9/10/2006: o câncer, em suas variadas formas, é uma doença que concentra esforços em todo o mundo.
No Brasil, segundo o IBGE, em matéria publicada no Dia mundial de combate ao câncer (8 de abril), é a segunda causa de morte. No caso dos
Estados Unidos da América, as estatísticas mostram que o percentual de mortes por câncer vem caindo desde o início da década de 1990.
Apesar disso, os números absolutos têm mantido-se estáveis e as taxas têm crescido para alguns tipos de câncer e para populações específicas (e.g. câncer de próstata em homens entre 1995 e 2003). Ainda segundo as estatísticas norte-americanas, o fumo parece estar simultaneamente ligado à redução dos casos em homens e ao aumento em mulheres, proporcionalmente ao hábito de fumar.
Entre os avanços recentes nas pesquisas, estão resultados animadores: desde drogas como o Avastin (nome científico: bevacizumab), utilizado em casos de câncer de pulmão e de mama (neste último caso, ainda em fase experimental); o
Zolinza, da Merck, aprovado recentemente pelo
Food and Drug Administration, contra casos raros de câncer de pele (
"linfoma cutâneo", por reportagem do Estadão); a
radioterapia, prévia às cirurgias de reto, para evitar recidivas de tumores; até o
uso da aspirina, como fator para inibir o crescimento de tumores.
Tais avanços não excluem procedimentos preventivos simples, como o auto-exame dos seios e a mamografia, para mama, e o teste de toque e o exame de PSA, para próstata.
Com tantos resultados e informações, a Web funciona como uma porta de acesso aos fabricantes (e.g.
bula do Avastin no sítio da Roche do Brasil), às instituições governamentais (e.g.
National Cancer Institute e
Instituto Nacional de Câncer - INCA), às associações de pesquisa (e.g.
American Society of Clinical Oncology - ASCO e o
Breast International Group - BIG) e aos estudos clínicos e às pesquisas em andamento (e.g.
clinical trials), aos grupos de discussão abertos (e.g.
BreatCancer-StageIV - survivors) e às opiniões e conhecimentos de todas as pessoas que acessam a Web (e.g.
artigo sobre bevacizumab na Wikipedia). Assim, a Web vem constituindo-se em uma poderosa arma contra a doença, por meio da qual famílias, doentes, médicos e outros profissionais podem trocar informações e conhecer novas estratégias de combate à doença.
No entanto, apesar das pesquisas, notícias excessivamente entusismadas, como a
reportagem da revista Época intitulada "O câncer sob controle: novas drogas mudam o perfil da doença, que passa a ser crônica e administrável", não retratam toda a realidade. Muitos resultados ainda são experimentais e há muitas barreiras e desafios a serem enfrentados, como
o preço e o acesso aos medicamentos, além da agressividade, da complexidade e das múltiplas variações de uma doença que, em muitos aspectos, está longe de ser dominada.